Quando uma coisa que a gente
gosta muito quebra, a gente junta os cacos, pega a velha e boa Super
Bonder e cola.
Na vida é um pouco assim. Só que
sem a cola.
A caneca do Van Gogh quebrou-se. Espatifou-se
na pia.
“Ainda bem que foi só a asa”,
pensei.
A queda deixou três marcas. A tornou
única. Nenhuma caneca do Van Gogh no mundo tem as marcas da minha.
Na vida é assim.
A gente cai. Vezes por acidente,
descuido. Vezes porque alguém insensível não percebe nossa fragilidade e nos
atira pedra ou de um abismo. Às vezes de forma metafórica. A gente nem sente o
chão. E cai...
Mas, assim como com a caneca,
apesar da dor – que a caneca não sente, o que dá a ela vantagem -, temos que
juntar os cacos e colarmo-nos. Metaforicamente, porque não temos Super
Bonder que cole
gente ou sentimento – o que dá mais uma vantagem à caneca.
Em ambos os casos, as marcas
deixadas as fazem únicas. A vida segue, as marcas ficam. E o aprendizado também.
Tem casos que nem cola resolve.
Nem a literal, nem a metafórica. Nesses casos, compra-se outra caneca. E a
gente se reinventa.

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