Minha primeira gata chegou lá em casa numa noite de
chuva. Estava numa caixa de papelão em frente à minha casa. Era uma noite fria
e ela, muito pequena, miava muito. Depois que nosso cachorro havia sido
roubado, cinco anos antes, não tivemos mais nenhum animal de estimação. Até
aquela noite. Era para ser temporário, mas depois que recebeu um nome, Tieta não
saiu mais da nossa casa. Tieta me acordava, todas as manhãs, para eu ir à
escola. E esperava meu retorno, esparramada no muro de casa, todos os dias.
Fazia tempo que não pensava nela. Até chegar à Casa do Rio Vermelho e ver uma
gata muito parecida com ela. Na casa de Jorge Amado, pai de Tieta, minha gata
me manda lembranças...
(Casa do Rio Vermelho, Salvador, out/2015)

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